2025: O Brasil Acelera sua Soberania Tecnológica entre Chips, Dados e Inteligência Artificial
Em um escritório do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em Brasília, funcionários acompanham em tempo real os avanços do novo supercomputador nacional. Do outro lado do país, em laboratórios da Unicamp e UFRJ, pesquisadores desenvolvem chips brasileiros. Enquanto isso, comunidades quilombolas no Pará começam a acessar serviços digitais via Pix, símbolo de uma infraestrutura pública que não existia há cinco anos. O ano de 2025 marca um momento decisivo na construção da soberania tecnológica brasileira.
O Brasil encerrou 2025 com R$ 267 milhões investidos em projetos estratégicos de tecnologias da informação e comunicação, um crescimento de 116% em relação ao ano anterior. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), intitulado “IA para o bem de todos”, consolidou-se como eixo central dessa transformação, articulando desde a modernização de supercomputadores até a criação de modelos de linguagem em português. O país também avançou nas negociações internacionais, com protagonismo no G20 e BRICS, firmando acordos com China, Índia, Chile e outros parceiros para cooperação em soberania digital.
Para além dos números impressionantes, a questão que se impõe através da lente da Amefricanidade é outra: quem se beneficia dessa transformação tecnológica? A ministra Luciana Santos afirmou que soberania tecnológica se constrói com investimento contínuo e gente qualificada. Mas a história brasileira nos ensina que os avanços do Estado nem sempre alcançam as periferias das grandes cidades ou as comunidades ribeirinhas do Norte. O dado de que 85% dos chips usados no país são importados revela uma dependência estrutural, enquanto a meta de dobrar a participação brasileira na cadeia global de semicondutores até 2033 exigirá formar técnicos e engenheiros em regiões historicamente excluídas do circuito da inovação.
A perspectiva da Coletividade nos convida a perguntar: como garantir que os R$ 1,2 bilhão previstos para semicondutores em 2026 gerem empregos e oportunidades não apenas nos corredores de inovação de São Paulo, mas também nas universidades federais do Nordeste e nos centros de formação técnica das periferias? O terreiro e o quilombo, espaços de resistência e autogoverno que forjaram a identidade afro-brasileira, nos lembram que tecnologia sem comunidade é mera ferramenta de exclusão. O PBIA pode ser o caminho para um Bem Viver digital, mas apenas se suas políticas alcançarem quem mais precisa.
O Brasil escolheu não ficar à margem da revolução tecnológica global. Mas a verdadeira soberania — aquela que honra a Amefricanidade e o legado de resistência de nosso povo — será medida não apenas em petabytes e teraflops, mas na capacidade de levar a transformação digital às comunidades que historicamente construíram este país. A pergunta que fica para 2026: conseguiremos transformar infraestrutura em inclusão?
ógica, Semicondutores, MCTI, Amefricanidade
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